quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


RELATOS DO TEXTO DE MARIE CHRISTINE JOSSO
As narrações centradas sobre a formação durante a vida como desvelamento das formas e sentidos múltiplos de uma existencialidade singular-plural.

            O texto de Marie Christine Josso traz o resultado de um projeto de pesquisa relacionado à identidade a partir das histórias de vida, ou seja, das narrativas. Por meio deste projeto buscava-se que as pessoas tomassem consciência das mutações sociais e culturais nas vidas singulares e colocá-las em relação com a evolução dos contextos de vida profissionais e sociais. Nas narrativas são confrontadas as subjetividades e as realidades vivenciadas. Segundo Josso “trabalhar as questões identitárias, expressões de nossa existencialidade, através da análise e da interpretação de narrativas de vidas escritas, permite-nos evidenciar a pluralidade, a fragilidade e a mudança de nossas identidades ao longo da vida” (p.19).
            Os estudos baseados nos processos de formação, de conhecimento e de aprendizagem, tendo em vista a elaboração de um conceito de formação experiencial é de suma importância para garantir que os educadores repensem a sua prática em sala de aula. E para que este processo formativo realmente funcione é necessário que as pessoas realmente se engajem e participem verdadeiramente do mesmo. Durante as narrativas os participantes destacam os pontos chave das vivencias da pessoa que está narrando.
            O conceito de existencialidade singular-plural remete logo a uma problemática que acompanha o percurso da vida vivida em uma tensão permanente entre as transformações das limitações dos coletivos e a evolução dos sonhos, dos desejos e das aspirações individuais.
            A autora traz que auto-orientação de si, subproduto de nossa criatividade (a invenção de si) vem a ser uma tomada de poder sobre a maneira pela qual cada individualidade pode descobrir sua singularidade, cultivá-la sem parar de se inscrever num contínuo sócio-cultural, em outras palavras, a história coletiva de suas comunidades de pertencimento.
            As práticas de reflexão sobre si oferecidas pelas narrativas escritas de vidas centradas na formação apresentam-se, assim, como laboratórios de compreensão de nossa aprendizagem da profissão e da maneira de ver e viver o mundo. A abordagem biográfica é um suporte empírico para a reflexão compreensiva da formação de si como sujeito.
Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 17, n. 29, p. 17-30, jan./jun., 2008.

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