RELATOS DO TEXTO DE MARIE CHRISTINE JOSSO
As narrações centradas sobre a formação durante a vida
como desvelamento das formas e sentidos múltiplos de uma existencialidade
singular-plural.
O
texto de Marie Christine Josso traz o resultado de um projeto de pesquisa
relacionado à identidade a partir das histórias de vida, ou seja, das
narrativas. Por meio deste projeto buscava-se que as pessoas tomassem
consciência das mutações sociais e culturais nas vidas singulares e colocá-las
em relação com a evolução dos contextos de vida profissionais e sociais. Nas
narrativas são confrontadas as subjetividades e as realidades vivenciadas.
Segundo Josso “trabalhar as questões identitárias, expressões de nossa
existencialidade, através da análise e da interpretação de narrativas de vidas
escritas, permite-nos evidenciar a pluralidade, a fragilidade e a mudança de
nossas identidades ao longo da vida” (p.19).
Os estudos baseados nos processos de formação, de
conhecimento e de aprendizagem, tendo em vista a elaboração de um conceito de
formação experiencial é de suma importância para garantir que os educadores
repensem a sua prática em sala de aula. E para que este processo formativo
realmente funcione é necessário que as pessoas realmente se engajem e
participem verdadeiramente do mesmo. Durante as narrativas os participantes
destacam os pontos chave das vivencias da pessoa que está narrando.
O
conceito de existencialidade singular-plural remete logo a uma problemática que
acompanha o percurso da vida vivida em
uma tensão permanente entre as transformações das limitações dos coletivos e a
evolução dos sonhos, dos desejos e das aspirações individuais.
A autora traz que auto-orientação de si, subproduto de
nossa criatividade (a invenção de si) vem a ser uma tomada de poder sobre a
maneira pela qual cada individualidade pode descobrir sua singularidade,
cultivá-la sem parar de se inscrever num contínuo sócio-cultural, em outras
palavras, a história coletiva de suas comunidades de pertencimento.
As
práticas de reflexão sobre si oferecidas pelas narrativas escritas de vidas
centradas na formação apresentam-se, assim, como laboratórios de compreensão de nossa aprendizagem da profissão e da
maneira de ver e viver o mundo. A abordagem biográfica é um suporte
empírico para a reflexão compreensiva da formação de si como sujeito.
Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 17, n. 29, p. 17-30,
jan./jun., 2008.

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